CID-10 F32
Acendi mais um cigarro, daqueles fortes, pra pessoas fracas. Não consegui fechar os olhos, e não sonharia se fechasse. Me levantei pra pôr em letras as minhas mágoas. O resto acontece agora, você sabe. Ando cansado, e mais cansado ainda de ter de repetir isso aos cantos quatro. Mas a verdade é que eu sou o problema, eu e meus defeitos suportavelmente suportáveis. Não fica claro porque ainda fazem questão de me ter ao lado, se tanto me dizem ser eu o difícil “irrelacionavel”. E as pessoas parecem gostar desse mal hábito. A paz, como tudo que é pleno, é utópico, e a utopia como tudo que não existe só serve pra ser idealizado, nunca alcançado. Não existe paz em viver e ponto. A busca pela felicidade, paz, amor e qualquer um sentimento desse irremediável é tão possível quanto procurar ovos de ouro num curral de mamíferos desordenados. Penso e paro, de procurar coisas que não existem ou esses sentimentos perecíveis ao acaso. Procuro mais por um trocado, que nesse mundo, é das únicas a verdade. Essa mania feia da humanidade de tornar estados passageiros em impermutáveis conquistas, ditas, sidas. E querer nos outros oque não conseguem pra si de fato. não se é feliz, não se é amado, e pra paz nem o verbo cabe a prazo. Ser e estar não são sinônimos! Queria que ficasse claro. Ser fútil, ser burro, ser realista, mas não ser pacato. Pra ser, prazer, pra ter. Que pra tudo na vida existirá sempre aquele velho ditado: “isso não enche barriga” e fica tudo por obra do descaso.


